Cabo Verde: PR sem posição sobre entrada da Guiné Equatorial na CPLP
Praia - O Presidente da República (PR), Jorge Carlos Fonseca, afirmou que ainda não tem uma posição definitiva sobre a entrada da Guiné Equatorial na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Em entrevista à agência de notícias Inforpress, Jorge Carlos Fonseca disse esperar estar habilitado para tomar uma posição em nome de Cabo Verde, caso se coloque a questão da entrada da Guiné Equatorial na CPLP, já que, segundo ele, muito provavelmente representará Cabo Verde na próxima cimeira da Comunidade a realizar-se em Maputo.
«Há vários factores a ter em conta. Eu tenho que dialogar com o Governo porque, em matéria de política externa, tem que haver sempre que possível uma voz única sintonizada sobre este problema», realçou o PR.
Jorge Carlos Fonseca avançou que ainda não discutiu o assunto com o Governo de José Maria Neves.
Além do Executivo, pretende também ouvir os cidadãos, a sociedade civil, os partidos políticos e os deputados sobre o que pensam em relação ao ingresso da Guiné Equatorial na CPLP.
Na sua perspectiva, há várias questões a serem levadas em conta, nomeadamente os princípios estatutários da CPLP, mas há também os interesses de Cabo Verde.
Confrontado com a posição já assumida pelo Governo, que diz apoiar a entrada da Guiné Equatorial para a CPLP desde que o país cumpra as orientações da conferência de Luanda, Jorge Carlos Fonseca limitou-se a dizer que a cimeira do Maputo vai avaliar se o roteiro e os requisitos «estão sendo cumpridos pelo Governo da Guiné Equatorial».
«Neste momento, creio, é prematuro que o Presidente esteja a tomar uma posição», salientou, acrescentando que da sua parte deve haver mais cautela antes de uma posição definitiva sobre o dossier relacionado com a adesão da Guiné Equatorial na CPLP.
Questionado sobre o risco de Cabo Verde falar a duas vozes na cimeira do Maputo, caso não haja um entendimento entre o Palácio da Várzea e o da Presidência sobre o dossiê Guiné Equatorial, o Chefe de Estado afiançou que tudo fará para que não haja divergência nem falta de sintonia entre os órgãos de soberania acerca desta questão.
A entrada da Guiné Equatorial na CPLP tem encontrado alguma oposição por parte de Portugal e Moçambique, mas que, ultimamente, têm sido mais moderados.
Em declarações à rádio pública, o Primeiro-ministro, José Maria Neves, garantiu que Cabo Verde apoia a entrada da Guiné Equatorial na CPLP, desde que este país cumpra os pressupostos estatutários da organização.
Para o Chefe do Governo, a integração desse país como membro de pleno direito na CPLP pode ser benéfica, já que permite à organização exercer um papel positivo nas mudanças e transformações políticas e económicas que estão a ser realizadas por este país, que já adoptou o português como língua oficial, sendo esta uma das recomendações resultantes da última conferência de chefes de Estado e do Governo da CPLP realizada em Luanda, capital angolana.
(c) PNN Portuguese News Network
2012-02-27 11:49:08
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