São Tomé e Príncipe e Guiné Equatorial preparam Comissão Mista
São Tomé – Agricultura e Pesca, Comércio e Turismo, Educação e Cultura, Transportes, Correios e Telecomunicações e Infra-estruturas são algumas das áreas em que São Tomé e Príncipe e Guiné Equatorial pretendem estreitar a colaboração.
Os técnicos dos dois países estão reunidos em São Tomé até quinta-feira, 21 de Junho, para preparar os dossiês que serão analisados na primeira comissão mista que deverá realizar-se brevemente.
Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe têm boas relações de vizinhança que se estabeleceram ainda no período colonial e durante o processo de luta de libertação. Apoiam-se na amizade, na solidariedade e nas afinidades culturais.
Entretanto, como salientou o ministro santomense do Plano e Cooperação Internacional, as especificidades do presente exigem dos povos dos dois países «o reforço de todos esses pressupostos, encarando o futuro, tendo em conta a pertinência dos assuntos que a globalização nos recomenda executar e, especificamente os fundamentos que nos impõe a política de integração regional».
«O espaço histórico que por felicidade partilhamos todos neste momento, decorre registando um período de uma importância dicotómica para o nosso planeta onde, por um lado, enfrentamos uma grande crise económica e financeira que nos sacode e, por outro, constitui a revelação de novos sinais que propiciam uma viragem nas relações internacionais, com vantagem para o desenvolvimento da cooperação Sul/Sul», acrescentou Américo Ramos.
O chefe da delegação equato-guineense sublinhou, por sua vez, que a recente visita do Presidente da República, Manuel Pinto da Costa, à Guiné Equatorial contribuiu para dar um novo dinamismo no relacionamento entre os dois países.
«Se colocou como missão sagrada o desenvolvimento estratégico e a busca de meios e vias capazes de actualizar e potencializar a cooperação bilateral entre os dois países irmãos e amigos, até elevá-la a um modelo exemplar de cooperação Sul/Sul no seio do nosso continente, na nossa sub-região e no mundo», disse o secretário-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Guiné Equatorial.
«A cooperação entre os Estados torna-se mais pertinente neste momento em que o continente africano em especial e o mundo em geral enfrentam múltiplos desafios e problemas como são, entre outros, a pobreza, a crise, as mudanças climáticas e o terrorismo. (…) Uma conjuntura crítica que deve necessariamente levar-nos a reflectir com uma atitude que supõe uma nova atenção às questões do presente» alertou Don Arsenio Moro Malonga.
Na sua opinião, os acontecimentos registados no nosso continente e sobretudo na África do Norte e no Médio Oriente, assim como noutras regiões do planeta «interpelam-nos a todos e nos aconselham a redobrar sem demora os actuais esforços de cooperação e partilha de benefícios».
A tentativa de sistematizar a cooperação bilateral entre os dois Estados vizinhos foi sofrendo sucessivos adiamentos. No passado houve vários contactos. Por exemplo, em Junho de 1999 foi assinado em Malabo o Tratado que delimita a fronteira marítima entre os dois países em presença dos dois chefes de Estado, Miguel Trovoada e Teodoro Obiang Nguema. O entendimento fazia parte das diligências que São Tomé e Príncipe fez na perspectiva de exploração de hidrocarbonetos.
O Presidente Obiang Nguema visitou São Tomé e Príncipe em várias ocasiões. Recorde-se que um dos resultados da visita do Presidente da República santomense à Guiné Equatorial foi o anúncio feito pelas autoridades de Malabo em contribuir com dois milhões de dólares para o Orçamento Geral do Estado.
São Tomé e Príncipe e Guiné Equatorial fazem parte da Comunidade Económica dos Estados da África Central, CEEAC, e da Comissão do Golfo da Guiné. A Guiné-Equatorial procura também a sua integração na Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP.
Os técnicos estão passar em revista os acordos já assinados, vão propor novas acções e a data da comissão mista.
(c) PNN Portuguese News Network
2012-06-20 17:55:00
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